O Primeiro Dia no Sítio

  O Primeiro Dia no Sítio

Tuco acordou cedo e ficou na cozinha esperando Pedro acordar
Tuco acordou cedo e ficou na cozinha esperando Pedro acordar


Tuco abriu os olhos lentamente. Tinha dormido pesadamente a noite toda. O dia ainda não tinha clareado completamente, mas pela luz que entrava pela fresta da janela ele pôde ver uma mesa com seis cadeiras, um armário com duas portas de vidro, onde estavam alguns pratos e  copos, e uma pia.


Pensou ainda estar sonhando, e adormeceu por mais alguns minutos. Acordou em seguida, meio assustado: não tinha reconhecido nada! Onde estavam sua mãe e irmãos, e sua velha casa?


Então lembrou-se do que tinha acontecido: havia chegado no dia anterior. Lembrou-se de Pedro e de seus pais e avó. Lembrou também de como foi bom passar aqueles momentos em sua nova casa, e de todo o carinho que tinha recebido. Sentiu-se feliz!


Saiu de sua caixa, que era sua nova caminha, e espreguiçou-se. Olhou ao redor, já sentindo fome. Ninguém ainda tinha acordado, afinal era domingo…


        Decidiu explorar o ambiente, até que seus novos amigos acordassem. Saiu farejando tudo na cozinha e na sala. Encontrou o velho sofá em que papai costumava tirar um cochilo após o almoço. Subiu nele. “Mas que coisa estranha é essa”, pensou Tuco. “É macia! Poderia ser minha caminha!”.


    Deitou-se no sofá e ficou pensando em que tipo de aventuras encontraria em seu novo lar, junto com seu novo amigo Pedro. “Que tipo de animais vivem aqui?”, pensou. “Será que há onças, jacarés e jiboias?”, pensou, lembrando das estórias que sua mãe contava para ele dormir…


    Sentiu medo por um instante. Mas tudo seria seguro com seu novo amigo! Certamente ele o protegeria.


Pouco depois, papai e mamãe de Pedro acordaram e encontraram Tuco no sofá. Acharam engraçado.


O quintal da casa de Pedro tinha muitos animais
No quintal da casa de Pedro viviam muitos animais


-Venha Tuco, venha conhecer seu novo lar, disse papai abrindo a porta dos fundos, que saia para o quintal.


        Tuco parou na porta e viu a imensidão daquele lugar, as árvores altas, o galpão onde papai guardava sua carroça, ferramentas e milho para os animais, o galinheiro junto ao pomar, e mais afastado um pouco o chiqueiro, de onde vinham uns barulhos arrepiantes de algum animal que ele nunca tinha visto:

        -Gruuinnnn, gruuuinnnn! Óinc! Óooinc! Eram os porcos que já esperavam seu café da manhã, famintos!

        Viu também algumas galinhas preguiçosas cantarolando pelo quintal, enquanto ciscavam o chão. Uma delas estava acompanhada por seis pintinhos. Tuco ficou encantado!


        Quanta coisa nova por descobrir! Por onde começar? Será que os moradores mais antigos do sítio o aceitariam? Conseguiria fazer amigos ali? Decidiu ir andando em direção ao chiqueiro.


        Aquele barulho o intrigava! Atravessou pelo meio das galinhas, que espantadas correram a se esconder debaixo das laranjeiras! Quem seria aquele intruso? Nunca tinham visto um bicho como aquele no sítio antes! Tuco nem percebeu.


        Aproximou-se lentamente do local onde os porcos faziam a maior algazarra! De longe, papai observava tudo, achando engraçado a curiosidade do novo morador do sítio.

        -Que-quem ss-são vo-cês? - perguntou Tuco, gaguejando, ao chegar próximo dos porcos - o que são vocês?

        Por um instante a gritaria do chiqueiro cessou. Os porcos se entreolharam não acreditando no que tinha acabado de acontecer. Um completo estranho que ninguém sabia de onde vinha, aproximou-se deles e perguntou “o que eles são”.


        De repente, começaram a rir sem parar, “rááá-hahahahaha, cááá, cácacaca”, divertiram-se os porcos.

        -Então o amiguinho ali não sabe o que nós somos? - perguntou Chico, o mais velho e líder do grupo. 

        -Ei Chico, que tipo de animal é este? - perguntou Peludo, que como o próprio nome já diz tinha um pelo bem comprido.

        -É um gambá, Peludo! Já vi um desses antes! - disse Joca, o mais novo deles.

        -Gambá? Isso não é um gambá! Isso é uma lontra!

        -Que lontra o que, seu tonto! é um lagarto! Só que um lagarto com pelos… ou um rato dos grandes!

        Tuco ficou sem saber o que dizer nem conseguir se explicar, pois os porcos estavam gritando uns com os outros tentando se entender sobre que bicho ele seria. De repente, papai chegou com um balde milho e despejou no cocho dos porcos, que avançaram sobre a comida se acotovelando e se empurrando.

        -Deixe esses gulosos aí Tuco! Eles não veem nada além da comida agora - disse papai.

        

        Tuco dirigiu-se até onde estava a galinha com seus pintinhos.


        -Oi, tudo bem!? disse Tuco.


        -Ohhhh!!! o que é isso? gritou a galinha, chamando seus pintinhos para baixo de suas asas - Manducaaaa!!! Manduuucaaaa! - chamou ela.


Manduca era o velho galo do terreiro, o chefão, o mais sábio e valente, e que protegia todas as galinhas dos perigos que aparecessem. Manduca veio correndo:


-Por Deus Joana! Que gritaria é essa? Quer me matar do coração? - perguntou Manduca ainda correndo.


-Manduca, olhe esta criatura! O que é isso?


-Alto lá, criatura! O que você quer aqui? perguntou Manduca, em tom ameaçador.


-Oi, meu nome é Tuco, eu cheguei aqui ontem. Vou morar com vocês agora.


-Mas que tipo de bicho é você, que nunca vi um igual? 


Todas as outras galinhas começaram a aproximar-se para ver o que estava acontecendo. Tuco começou a ficar assustado ao ver tanto bicho olhando pra ele.


-Olha, eu sou amigo. O Pedro é meu amigo também! Vamos ser todos amigos.


-Cuidado com esse bicho! - gritou Wesley, o chefe dos patos - é um zorrilho comedor de aves!


-Não! é um gambá! - disse uma galinha.


-Não! é um lagarto! Um lagarto com pelos! disse outra.


-Não sou nada disso! - protestou Tuco.


Enquanto todos os animais do quintal discutiam para ver se descobriam que bicho Tuco era, do alto do abacateiro, escondida entre as folhas, Piranga, a sabiá, observava tudo.


-É um cachorro! - disse ela.


Todos ficaram em silêncio olhando pra cima, procurando saber de onde vinha aquela voz bonita, que afirmava saber que bicho Tuco era.


-É um cachorro! Já vi outros nos outros sítios. Os humanos amam eles - disse ela, voando para um galho mais baixo. 


-Oi amiguinho! Meu nome é Piranga. Quem é você e o que faz aqui?


-Meu nome é Tuco! Sou um cachorrinho sim, estava tentando dizer mas todos aqui não me escutam! Vim morar nesta casa com Pedro e seus pais. Vou viver com vocês agora.


-Seja bem vindo, Tuco! Estes são meus amigos, Manduca, Joana e seus pintinhos, Wesley o pato, e as outras galinhas são Dilma, Ilma, Vilma, Hilda, Julieta, Jurema, e Cidinha. As outras estão por aí. Depois você as conhece.


Todos foram chegando perto de Tuco para vê-lo de perto, admirados, pois nunca tinham visto um cachorro antes.


-Tuco! - gritou Pedro da porta de casa - Venha! Hora do café!


Tuco saiu correndo por entre as galinhas em direção a Pedro, que o recebeu com um abraço bem carinhoso! 


-Venha amiguinho! Leitinho quentinho pra você.


Aquele foi o primeiro dia de Tuco no sítio, e ele nunca mais esqueceu.


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